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terça-feira, 6 de dezembro de 2011



   INSTRUÇÃO  ÍNTIMA  PARA 
   O  APRENDIZ  DE  SER  HUMANO 



                                            O problema não é aceitar as novas idéias; o  problema 
                  é  nos  desvencilharmos das idéias  velhas.
                                                                                                     Marina Lo Presti

                          Escrevo direcionado unicamente para os amantes de Sofia, a guardiã da Sabedoria, que são todos aqueles que buscam mergulhar nas profundidades de seu próprio ser, idealizando serem como o pássaro mergulhador do Bhagavad-Gitâ, que mergulha sem receio, profundamente, e volta à superfície sem ter molhado as penas.  O Mestre Jesus Cristo disse: “Estejais no mundo mas não sejais do mundo, pois o meu reino não pertence ao vosso mundo”.
                      
                      Sou um pouco do pássaro mergulhador do Bhagavad-Gitâ, a mais famosa de todas as Escrituras Sagradas Hidús, intocável em seu grau de pureza desde que foi escrita há mais de 8 mil anos A.C.. Tenho uma alma profunda e um espírito verdadeiramente mensageiro. Alio-me ao que disse o Mestre Jesus... O Cristo, porque seu enfoque faz toda a diferença entre liberdade e servidão, já que somos cidadãos de dois mundos.  O primeiro, situado ao longo de um processo histórico onde vivenciamos uma estrutura de sociedade feita em bases frágeis, sofreu reorientação, manipulação e mau uso das informações matriz, possibilitando o aprendiz de gente tornar-se um impulso dos impulsos de seus semelhantes. O segundo, é quando em sua frase, Jesus  impõe uma espiritualidade infinitamente maior a todo pensamento limitado ao revolucionar as consciências quando diz “meu reino não pertence ao vosso mundo”.  Alio-me de novo ao Mestre. Procuro e encontro, não só o significado simbólico de que não é com asas de anjo que se sobe ao céu e sim com a consciência, pois esse céu é psíquico em altura de alma, como também necessitamos construir caminhos pela experiência interior, possibilitando-nos atingir altitudes sublimes.  Temos que ouvir o eco da alma.  Temos que nos ofertar o futuro, sempre.  O ser humano necessita de um ponto de apoio para viver sua história pessoal, respirando-a em cada minuto, deixando os acontecimentos se completarem; provocar interrogações às nossas idéias porque, um dia, nossas indiferenças, nossos medos e temores que herdamos, e outros que conquistamos, vão resvalar-se nas fronteiras.  Precisamos remover nossos disparates, preconceitos, estranhezas, e nos possibilitar uma resposta global que não sugere hipóteses, mas um ensino desconhecido explorando e verificando nossos caminhos vedados, nossa atitude perante a realidade que mantemos e pequenas ou grandes paradas de incertezas.  Necessitamos, para ontem, entender qual o produto que nosso comportamento; ser o que somos para desabrocharmos absorvidos na consciência do realismo fantástico de como nos movimentarmos na ambiência da aventura humana.
Temos que retirar a enorme timidez que a ignorância nos encoraja usar. Temos que ultrapassar as receitas ------- todas ------- prescritas nas orientações ordenadas pelas facções, divisões e partidos. Todas elas ofertam incorretas interpretações ao que somos.  Quando observo as gaivotas e os pássaros, numa maneira geral, voando alto e, com cuidado, conservando-se no alto de penhascos e árvores, medito se assim agem para evitar a humanidade.

                      Brutalmente, as portas que abrem as consciências através das religiões continuam cuidadosamente fechadas sobre o esclarecimento das infinitas possibilidades do ser humano... E o que temos que reaprender é imenso. Desenvolvemos um processo interior e exterior  interligados. Do ponto de vista corpo humano, o nosso corpo possui dois níveis de funcionamento: o emocional e o espiritual. O emocional influencia tanto o corpo quanto o corpo afeta a mente. Na medicina encontramos uma palavra que caracteriza a disposição mórbida ----------- a diátese.  As diáteses reúnem, de um lado, tendências hereditárias mórbidas, e de outro, as emoções ocasionando distúrbios psicológicos e organo-funcionais.  Todavia, esse modelo é determinantemente clínico, de assustadores distúrbios patológicos:  asma alérgica, artrites dolorosas, deformantes, dores ciáticas, palpitações, taquicardia emocional,  e todo um elenco de problemas endócrinos do tipo hiper; problemas com a memória;  problemas  no comportamento psicológico: nervosismo e irritabilidade que chegam à agressividade, emotividade, timidez, tiques nervosos; problemas no aparelho respiratório com formatação recidiva: rinite, laringite, traqueíte, bronquite, sinusite e otite; problemas no gastro-duodenal:  enterocolite crônica, colite transversa e esquerda, recto-colite.  Poderia narrar 16 páginas de moléstias com que as nossas emoções violentam o corpo humano.   
                          
                     Todos os nossos sentidos encontram-se ligados ao mundo em que vivemos. Há funções reprimidas dentro de nós que estão repletas de energia deteriorando-se. Vivemos vidas contraídas. Não fomos instruídos a saber que não somos apenas este corpo físico que nos mantém presos a esse planeta.
Não existem respostas fáceis quando se está com 3% de consciência e 97% de defeitos  conscienciais.  Eis aí o fio contorcido, enrolado e embaraçado da trama humana, onde as religiões oficiais não ensinam a necessidade do ser humano despertar sua outra metade, a interna.  Esses defeitos conflitam a consciência, particularizando a personalidade a ser atrofiada, nociva, sem virtudes, recalcada e, em bilhões de humanos, sem arrependimento.  O ser humano, como aprendiz da vida e aprendiz lento de si mesmo, portanto um inocente útil,  satura-se de desconfiança, medo,indiferença e apatia, pelo fato de seus 97% representarem 97% de vezes em que se encontra sem consciência.
É de Sigmund Freud ------- o pai da psicanálise ------- a frase que dá um salto formidável na vacuidade e estreiteza obstrutora do ser humano falho: 

“...Dos atos falhos das pessoas sadias e também daqueles portadores dos sintomas neuróticos, pela psicanálise, retirei a conclusão de que os impulsos primitivos, selvagens e estupidamente maus da humanidade não desaparecerão de maneira alguma, salvo se os responsáveis por nações tornassem-se mais civilizados. Caso contrário, tais impulsos primitivos continuarão vivendo, ainda que recalcados, no inconsciente de cada pessoa, esperando a oportunidade de reativar-se.”   (1)

Sábias palavras.  Ele, aqui, no seu texto de pensamento pensado, sem probabilizar, sem achar, sem teorizar, encontra-se convencido de que no ser humano os impulsos destrutivos primários encontram-se hibernados, mas, prontos a reaflorarem quando falham as ligações afetivas.
                     As pessoas adoecem em função dos padrões relacionais mantidos a partir de conflitos que ressaltam os 97% de nossas emoções tóxicas que influenciam e interferem na complicada produção de doenças ------ a Diátese.
Do filósofo Pythágoras ( Pitagurus ), recolho uma frase que compreendo como resultado de uma ampla reflexão nascida no equipamento do espírito, que diz:

“Para  que a alma  possa viver bem
com  o  corpo, é  preciso  que  haja
uma  grande  amizade  entre  eles.”

Por muitos séculos, as obras de Sofia (a Sabedoria Divina) tornaram-se Helênicas, protegidas pelos seus filósofos de lúcida inteligência requintada, sábios e mestres de si, que instruíam a natureza do divino.
E foi no interesse pela verdade e o intuito de propagá-la além das parábolas, que os  filósofos  dividiram  a compreensão do  invisível  (a liberdade)  com  o  visível (a servidão) em três esferas:



Resultando a um desenvolvimento investigatório no misterioso mundo do ser humano. Estudo profundo; mergulho profundo na verdade. Pôncio Pilatos perguntou: O que é a Verdade? Onde devemos procurá-la, no meio dessa multidão de seitas e religiões  em  guerra?  Cada  uma  delas  pretende  basear-se na revelação divina, e cada uma afirma possuir as chaves das portas do Céu. Estará qualquer uma delas na posse dessa rara verdade?

    Minha compreensão feita no raciocínio intuitivo permite-me compreender que o materialismo crescente, a hipocrisia dos teólogos na ingenuidade de sua Bíblia feita por palavras mortas e os perniciosos sistemas eclesiásticos, são, sem dúvida, ruínas das crenças dos aprendizes lentos de si mesmos que buscam a verdade; verdades que foram suprimidas, conduzindo os aprendizes a viver desnorteadamente numa série de erros. Meu Venerável Mestre, Sri Yukteswar, em instrução aos seus discípulos, disse: “Há apenas uma verdade sobre a Terra, e ela é imutável. Uma Filosofia Secreta na Sabedoria de um Santuário.  E essa Verdade  não se  encontra  nesse mundo, mas  fora  dele.”
O aprendiz lento de si mesmo só compreende pela ótica de seu próprio preconceito constituído dos ensinamentos religiosos errados. O catolicismo dos Papas revela, em suas liturgias, equívocos de uma obra imperfeita. Como se tornou possível construir um império psíquico, baseando-se os seres humanos cordeiros numa mentira, se lá atrás os Filósofos honrados com a Verdade Únicacirculavam-na para ser interpretada na Filosofia Arcana de Sofia?  Os três filósofos detentores da sabedoria secreta, Pythágoras, Platão e Jâmblico  (iniciaticamente, “antigos habitantes da Terra”), pregaram os conhecimentos mais profundos, ou finais, denominados Sabedoria do Reino dos “Céus ”.
Esses conhecimentos foram como um padrão da Verdade, pois ---- Cristo ----- era um partidário da Verdade Interna. Ele, o Mestre Crístico, assinalava suas palavras públicas com “linguagem de alegoria”.

       Cristo (Jesus), por que lhes fala (ao público) com palavras e a nós (discípulos)  com  Sabedoria?

Respondeu:

“Porque a vós  foi dado conhecer os  Mistérios  (ensinamento da ciência divina) do  Reino  dos  Céus,  mas  a eles  (Saduceus dogmáticos de toda fé esclarecedora) não. Falo a esses ouvintes por   parábolas  porque  vêem   sem  ver  e  ouvem  sem  ouvir nem  entender”.  (Mateus, XIII, 10/3)

Foram os Saduceus que “crucificaram” JESUS, O CRISTO. No CODEX NAZARAEUS (memória nazarena codificada para servir de literatura orientadora), a Igreja Papal é originariamente instituição Saduceu; abraçou a fé Judaica para escapar da História sua relíquia sombria: o símbolo do filho de Deus que morreu pela humanidade. Deplorável mentira. O assassinato Crístico se impressa no espelho eterno da Luz  Astral.
O Sermão de Montanha expressado por Jesus tem um trecho que pertence a Pythágoras, quando diz:

“Não deis o que é sagrado aos cães,
nem  atireis as pérolas  aos porcos;
pois  os   porcos  as   pisarão  e  os
cães  se  voltarão  e vos morderão”.
        
                    Séculos se passaram. Percebemos uma humanidade possuidora de enormes porções de sujeira ancestral psíquica e celular, ignorantemente acumuladas. Do tríplice conhecimento para que se exercite a centelha divina, o aprendiz lento de si estrutura-se em tríplice sofrimento: doenças físicas (diáteses), desarmonias mentais (97% de defeitos conscienciais) e ignorância espiritual (servilismo nas coisas espirituais). A humanidade ocidental deu dois passos para trás, tanto física quanto mental.
      
Quem permitiu que descuidássemos da inspiração espiritual?

Aqueles que fazem da ciência divina um pretexto para algemar a fé, e um clero arrogante que reduz a Verdade Crística  numa religião baseada nem na Verdade, nem na Filosofia Divina, por conseguinte, falsa, dogmática e antagônica... será essa a sabedoria que nos desejam servir? Mas, por que se somos filhos autênticos da Sabedoria?  No inverso desta pergunta, necessário se faz uma outra:  Como a espécie humana, tão sofisticada e inteligentemente tecnológica, pode ser negligente ao ponto de ser estúpida aos valores da vida? Um erro de raciocínio leva a toda uma série de outros erros. Vivemos uma época em que nada se reconcilia. A compreensão encontra-se aflorada por falhas e o equilíbrio se promove ou se afirma através de protestos. Mesmo que sejamos Filhos da Sabedoria, o comportamento humano encontra-se esquizofrênico e a civilização, desgastada.

                       A humanidade que se seguiu após Sócrates, Pythágoras, Buddha, Jesus, e etc., tomou de desdém a frase Conhece-te a ti mesmo, que se espalhou como um rastilho de pólvora pelo mundo. Daqui em diante, ficamos prontos para sermos uma cronografia sem originalidade, e desencontrados sensorialmente. Países como Grécia, França, Alemanha, Estados Unidos e Itália, são, hoje, nações sem singularidades quanto a gerir os interesses sem nortear um ensinamento oficial para a conduta mente-corpo humano, como nossos antepassados que legitimavam suas nações na Sabedoria Solar. Índia, Grécia, Alexandria, Egito, Paquistão, China, México, etc., são nações que ocupavam suas civilizações a expressarem-se por verdades espirituais. Os conspiradores da discórdia provocaram, século após século, ----------- a discordância ----------- que foi se expressando na consciência popular. Eis o rastilho de pólvora no qual humanidades inteiras foram atingindo diferentes fases de metamorfose guiadas na falsa rota do espírito. A antiga vocação do período Solar foi envolvida num manto pesado de escuridão latente, mas a Sabedoria não desmoronou por ser imortal, transcendente e rejuvenescida por incomparáveis mestres que, em momentos da história, surgiram para persuadir os difamadores da Verdade.
Todos eles tornaram-se arquétipos do pensamento humano. Vários milênios de preparação para re-ligar o ser humano mantido numa mutação do jugo demencial e da atividade hipnótica. A voz de Sofia, invocada na consciência de todos os seres que passaram pela história buscando re-organizar o crucigrama da existência:   
         
                           “Unemo-nos   para  resistir  e
                         dividamos-nos  para  vencer.”

(Desenho de Taniananda)


Sábias palavras em regras de ouro para com todos os discípulos da vontade verdadeira.  As mesmas palavras que depois se fizeram revestidas em“Amem-se uns aos outros como eu vos amei”,  palavras estas, só compreendidas por todos os buscadores sinceros da Arcana Vontade, pois “o coração dos justos se volta para a Verdade”.  Aproxima-se a grande mudança. Temos que compreender que o tempo prescrito está finalizando-se e um novo ciclo desponta. Se o apocalipse representa uma meta final, o antropocalipse é mais individual; é     resultado de todo o trabalho conseguido pelo ser humano em religar-se à alma.

                   Aqui fico, na certeza de que influencio, silenciosamente, seres humanos a tentar ultrapassar seus próprios limites.

                                                             



 Shrî  Vidyacharanasampanaananda  



(1) Em carta ao amigo psiquiatra holandês, Frederik Van Eeden, e publicada em 17/01/1915 na revista The Amsterdammer.
(Todos os Direitos Reservados)                  

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